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O comércio eletrônico brasileiro cresceu cerca de 15% no último ano e segue com perspectiva de avanço de dois dígitos, mas o debate que ocupou o setor foi outro, porque a margem de lucro no e-commerce passou a revelar que faturamento alto pode esconder uma operação frágil.

No centro dessa conta está a escolha do canal de venda e o custo da operação que começa depois do clique. Os guias mais populares do assunto ensinam a calcular o percentual de lucro. Quase nenhum mostra por onde esse percentual escapa antes de virar caixa no fim do mês.

O que este artigo aborda:

Painel de vendas aberto em um notebook ao lado de caixas de papelão etiquetadas para envio
Painel de vendas aberto em um notebook ao lado de caixas de papelão etiquetadas para envio
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Por que o e-commerce cresceu 15% e o lucro não acompanhou

Volume e rentabilidade deixaram de andar juntos, e o crescimento das vendas online passou a conviver com margens mais estreitas.

A publicação Varejo S.A, da CNDL, registrou que o setor cresceu cerca de 15% e mantém perspectiva de dois dígitos. A leitura apresentada por executivos do varejo é que vender melhor passou a importar mais do que vender mais. Rentabilidade, custo de aquisição e valor do cliente entraram no lugar do número de pedidos.

O recado atinge quem acompanha finanças digitais por um motivo direto. Crescimento de receita não é o mesmo que geração de caixa, e a diferença entre os dois mora em despesas que o painel de vendas não mostra.

O que é margem de lucro no e-commerce e onde ela vaza

A margem de lucro no e-commerce é o que sobra de cada venda depois de todos os custos da operação.

A conta costuma ser feita pela metade do caminho. O lojista desconta o custo do produto comprado e comemora o resultado que aparece na tela. O que fica de fora são comissões, taxas de pagamento, frete, embalagem e o trabalho de despachar o pedido.

Margem bruta, margem líquida e margem de contribuição

Três indicadores diferentes carregam a palavra margem, e confundi-los distorce a leitura do negócio.

A margem bruta mostra o que sobra depois do custo do produto. A margem de contribuição desconta também os custos que variam a cada venda, como comissão e frete. A margem líquida chega por último, depois das despesas fixas da empresa.

Quem cresce olhando apenas a primeira delas enxerga um negócio saudável que, na terceira linha, opera perto do zero. É por isso que a margem de lucro no e-commerce precisa ser lida na ponta final, e não na etiqueta de preço.

Os custos que somem da conta do lojista

O custo de aquisição de cliente, chamado de CAC, é a despesa média para trazer cada comprador novo.

Ele sobe quando a concorrência aumenta no leilão de anúncios. Some a ele a taxa da plataforma de pagamento e a comissão do canal de venda. O que parecia uma venda com 30% de folga chega ao caixa com bem menos.

Há ainda a parcela silenciosa, que é o custo do pedido que dá errado. Ela não aparece em nenhuma linha do plano de contas e só é percebida quando o resultado do mês não fecha.

Marketplace ou canal próprio, o que cada canal cobra da margem

Cada canal de venda entrega uma coisa e cobra outra, e essa troca define boa parte da margem de lucro no e-commerce.

No marketplace, o lojista aluga uma audiência que já existe. Ganha visibilidade imediata e volume de pedidos, mas paga comissão em cada venda e não recebe os dados de quem comprou. A construção de marca acontece dentro da vitrine do outro.

O que o marketplace entrega e o que ele retém

A vitrine coletiva resolve o problema mais caro do comércio digital, que é atrair gente com intenção de compra.

Em troca, retém a informação do comprador, a relação com ele e uma fatia fixa do preço. A segunda venda para a mesma pessoa depende de uma nova busca dentro da plataforma. O lojista volta a pagar para reencontrar quem já era cliente.

O que o canal próprio devolve em dado e recorrência

A loja própria, modelo conhecido como D2C, é a venda direta da marca ao consumidor final, sem intermediário.

Ela devolve três ativos que o marketplace guarda, que são o dado do comprador, a recorrência e a margem maior por pedido. Com margem maior, sobra dinheiro para investir em experiência e em logística. Cada compra seguinte do mesmo cliente sai mais barata do que a primeira.

A contrapartida é que o tráfego precisa ser comprado ou construído do zero, o que exige fôlego de caixa. Não por acaso, esse é o canal que menos gente sustenta.

A 12ª edição da Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios, conduzida pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, ouviu mais de 8,2 mil empreendedores e apontou que 73% deles usam canais digitais para vender, enquanto a fatia com loja virtual própria recuou de 14% para 10%. O dado foi divulgado pela Agência Sebrae de Notícias.

A leitura para o setor é desconfortável. O canal que devolve margem e dado é justamente o que menos operações conseguem manter de pé.

O que pesa na contaMarketplaceCanal próprio
TráfegoJá existe na plataformaPrecisa ser comprado ou construído
Comissão por pedidoCobrada em toda vendaNão existe
Dado do compradorFica com a plataformaFica com a loja
Segunda compraDepende de nova buscaPode ser trabalhada na base própria
MarcaDiluída na vitrine coletivaConstruída no domínio da loja

Quanto a operação depois do clique decide a margem

O pedido só vira lucro quando chega correto ao comprador, e cada erro nesse trajeto consome margem já contabilizada.

Separação trocada, atraso e reenvio geram um segundo frete, um segundo atendimento e, muitas vezes, um produto que volta sem condição de venda. O preço anunciado na vitrine continua o mesmo. O resultado financeiro daquela venda encolhe a cada etapa repetida.

O custo de errar e reenviar um pedido

Devolver um pedido custa mais do que o valor estornado ao cliente, e essa diferença sai direto da margem.

Levantamento sobre comércio eletrônico divulgado pela publicação Mercado&Consumo calcula que devoluções podem custar até 30% a mais do que o montante reembolsado. A conta inclui logística reversa, reprocessamento e depreciação de estoque. Somam-se taxas de pagamento não recuperáveis e perdas ligadas a fraude.

O mesmo levantamento indica que os reembolsos ficaram entre 2,5% e 3% do total de pagamentos digitais acompanhados. Em um negócio que opera com margem apertada, essa faixa deixa de ser detalhe operacional. Ela vira a diferença entre fechar o mês no azul ou no vermelho.

Previsibilidade como variável de margem

Operação previsível protege margem porque elimina o custo do improviso, que é sempre o mais caro.

Estoque conferido evita a venda de um item que não existe. Separação padronizada reduz o pedido trocado. Prazo cumprido diminui o volume de atendimento e o pedido de reembolso por atraso.

Nada disso aparece como receita. Aparece como despesa que não aconteceu, e é exatamente aí que a margem de lucro no e-commerce é defendida.

Como uma operação especializada trata a conta da margem

O peso da etapa pós-venda ajuda a explicar por que parte das marcas digitais terceiriza a expedição em operadores dedicados.

Esse serviço é conhecido como fulfillment, nome dado à operação que armazena, separa, embala e despacha os pedidos de uma loja. A promessa central desse modelo é previsibilidade, que na conta do lojista aparece como erro que deixou de custar dinheiro.

A LOG18K é um operador logístico brasileiro especializado em fulfillment para lojas de suplementos e nutracêuticos.

A empresa movimenta mais de 60 mil produtos por mês, atende mais de 30 operações ativas e trabalha com clientes em todo o território nacional, a partir de uma base em Curitiba, com planos de novas unidades em outros estados.

A operação da LOG18K é integrada às plataformas de e-commerce e de marketing direto usadas pelos lojistas, com painéis de acompanhamento do que entra e do que sai.

Checklists, conferências e controles padronizados na expedição atacam justamente os custos que corroem resultado depois da venda, como separação trocada, reenvio e atraso.

Para quem vende, o critério de escolha de um parceiro assim vai além do preço por pedido. O que pesa é quanto da margem sobrevive à operação inteira, do estoque à porta do comprador.

O que observar antes de trocar de canal de venda

Antes de migrar vendas de um canal para outro, o lojista precisa medir o que cada estrutura cobra dele.

A comparação honesta não olha apenas a comissão cobrada em cada pedido. Olha o custo total de colocar o produto na casa do cliente e o que de fato sobra dessa operação. Cinco pontos ajudam nessa leitura antes da decisão:

  1. Calcule a margem de contribuição por pedido em cada canal, com comissão, taxa de pagamento e frete já descontados.
  2. Meça quanto custa trazer um comprador novo e quanto custa fazer o mesmo comprador voltar.
  3. Levante o percentual de pedidos com problema e o custo médio de resolver cada um.
  4. Verifique quem fica com o dado do comprador ao fim da transação.
  5. Some o custo fixo da estrutura própria de expedição, incluindo pessoas, espaço e sistema.

Quem faz essa conta descobre que canal de venda e operação são a mesma decisão financeira vista de dois ângulos.

E que a margem de lucro no e-commerce se decide menos na etiqueta de preço e mais no que acontece depois que o comprador clica em finalizar.

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