Se você acompanha qualquer canal, podcast ou perfil de Bitcoin no Brasil nos últimos anos, dificilmente escapou do nome Renato Trezoitão. Ele virou uma espécie de ponto de referência obrigatório quando o assunto é educação sobre a moeda por aqui, seja pra quem concorda com cada palavra que ele fala, seja pra quem só quer entender por que tanta gente escuta.
Vale explicar de cara que Trezoitão não é o nome de batismo dele. Renato Amoedo Nadier Rodrigues nasceu em 1981 em Salvador, na Bahia, e o apelido pelo qual ficou conhecido tem origem numa preferência bem específica: o revólver calibre .38, que ele associa a uma postura prática e direta em relação à própria segurança. Daí “Trezoitão”, às vezes escrito também como “38tão”, e o usuário @R38TAO que usa no X.
O que este artigo aborda:
- Uma formação acadêmica fora do padrão
- Do direito e da perícia criminal ao Bitcoin
- Um público que passa da casa dos milhões
- Um discurso que mistura economia, religião e política
- Limitações pessoais que não pararam a trajetória
- Por que ele importa pra quem estuda Bitcoin no Brasil
Uma formação acadêmica fora do padrão
Uma coisa que chama atenção em quem estuda a trajetória dele é o currículo acadêmico, bem distante do estereótipo de influenciador de internet sem embasamento técnico. Renato se formou em Engenharia de Produção Civil pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e tirou o primeiro lugar nacional no ENADE de 2006, o exame que avalia a qualidade dos cursos superiores no país. Depois cursou Direito pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), fez especialização em Direito Empresarial e mestrado em Direito Privado e Econômico, com dissertação aprovada com distinção. A formação segue com um doutorado e ainda um mestrado europeu como bolsista do programa Erasmus Mundus.
Paralelamente à vida acadêmica, ele construiu carreira como professor universitário, tendo lecionado em instituições como a Faculdade Batista Brasileira, onde chegou a coordenar o curso de Direito, além de outras universidades da Bahia. Hoje atua como Perito Criminal do Departamento de Polícia Técnica da Bahia, cargo que mantém em paralelo com toda a atividade de comunicação sobre Bitcoin.
Do direito e da perícia criminal ao Bitcoin
A guinada pro universo cripto aconteceu de um jeito que mistura formação técnica com convicção pessoal. Renato começou a escrever e falar publicamente sobre Bitcoin defendendo a ideia de que a moeda funciona como ferramenta de soberania individual, um jeito de manter patrimônio fora do alcance direto de governo, banco central e crise institucional. Esse discurso encontrou terreno fértil num país com histórico de confisco de poupança, hiperinflação e instabilidade econômica recorrente.
Ele é coautor do livro Bitcoin Red Pill, ao lado de Alan Schramm, e também está por trás do treinamento Bitcoin Black Pill, curso online que promete ensinar o aluno a se tornar seu próprio banco e proteger o patrimônio de forma independente do sistema financeiro tradicional. Esses dois projetos, somados a uma presença forte em podcast e rede social, ajudaram a consolidar a imagem que hoje se associa ao nome dele: a de maior evangelizador do Bitcoin no Brasil.
Um público que passa da casa dos milhões
Os números de audiência dele impressionam quem chega de fora sem saber do alcance que a comunicação sobre Bitcoin conquistou por aqui. São mais de 900 mil seguidores no Instagram e mais de 120 mil no X, além de milhões de visualizações acumuladas entre podcast, vídeo e material de curso. Em outubro de 2024, o canal Bitcoin Red Pill no YouTube, que publicava cortes das falas dele, chegou a ser derrubado pela própria plataforma, o que gerou bastante repercussão entre quem acompanha o setor.
Esse alcance também levou Renato a sair da internet pra dentro de gabinete político. Ele já se encontrou com deputados e outras lideranças pra discutir Bitcoin diretamente, incluindo conversas em Belo Horizonte durante o evento Missão Bitcoin, onde chegou a falar com o deputado federal Nikolas Ferreira sobre o tema. Esse tipo de articulação política é parte da estratégia dele de tentar ampliar a base de apoiadores da criptomoeda dentro do Congresso Nacional.
Um discurso que mistura economia, religião e política
Quem acompanha o conteúdo de Renato de perto percebe rápido que o discurso dele vai além do aspecto técnico do Bitcoin. Ele costuma combinar referência à economia austríaca, crítica dura ao sistema fiduciário, posicionamento libertário e até referência bíblica, criando uma narrativa que conecta criptografia, autonomia individual e resistência cultural. A origem familiar conservadora, com avós que enxergavam certos eventos religiosos como símbolo de resistência ao materialismo, ajuda a explicar essa mistura de temas que normalmente não andam juntos no debate público brasileiro.
Vale registrar que parte desse discurso é considerada polêmica, especialmente quando Renato projeta cenários de maior restrição estatal sobre criptoativos no Brasil e na América do Sul, ou quando comenta sobre isenção de imposto e autocustódia. São posições que geram tanto apoio entusiasmado quanto crítica de quem discorda do tom mais alarmista de algumas previsões.
Ele também já foi tema de reportagem por conta de declarações sobre o próprio patrimônio em Bitcoin, incluindo comentários feitos em podcast sobre a pressão de declarar corretamente esse tipo de ativo à Receita Federal. Esse tipo de exposição pública é incomum entre investidores de cripto, que costumam preferir manter o próprio saldo em sigilo, e reforça a imagem de alguém que trata a própria vida financeira como parte do material didático que oferece ao público.
Limitações pessoais que não pararam a trajetória
Um detalhe pouco falado é que Renato enfrenta limitações físicas relevantes: ele é praticamente cego de um dos olhos e convive com espondiloartrite, doença autoimune que afeta a coluna e as articulações. Mesmo assim, mantém uma agenda de viagem, palestra e produção de conteúdo que exigiria disposição de sobra até de quem não tem nenhuma dessas condições.
Por que ele importa pra quem estuda Bitcoin no Brasil
Independente da posição política de cada leitor, dá pra dizer que Renato Trezoitão ocupa hoje um espaço único no ecossistema brasileiro de criptomoeda: uma combinação rara de formação acadêmica sólida, experiência de carreira em área técnica e capacidade de comunicação de massa. Ele conseguiu levar o debate sobre autocustódia e soberania financeira pra fora da bolha cripto e colocar o tema em conversa com político, formador de opinião e público geral, algo que poucos outros nomes do setor conseguiram no mesmo nível.
Pra quem quiser se aprofundar na trajetória completa dele, com mais detalhe sobre a formação, a carreira na perícia criminal e os bastidores da relação com política, o Coin360 publicou um perfil completo sobre Renato 38, reunindo desde a infância na Bahia até os bastidores da relação com deputados e o mercado cripto atual.
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